segunda-feira, 25 de maio de 2009

sobre os defeitos 'auto-análise'


"Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os defeitos pode ser perigoso - nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro… Há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. Quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma em boi. Assim fiquei eu…Para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões - cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também a minha força. Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse seu único meio de viver. Juro por Deus que, se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia ia ser punida e iria para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não é ser punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade da alma."
Trecho de Minhas Queridas - Clarice Linspector

sexta-feira, 22 de maio de 2009

hj eu quero apenas uma pausa de mil compassos...

Mais uma vez...

5 e-mails, 2 celulares e agora 3 agendas e para que isso tudo se eu continuo sem conseguir organizar todo o meu tempo.
Hoje no ônibus eu resolvi fazer uma listinha do que eu quero fazer. Como se fosse uma lista de prioridades sem ordem, porque todas elas têm importância para mim. Nem preciso dizer que a folha acabou e as minhas prioridades não. São todas coisas que eu preciso e quero fazer.
Quando eu vou aprender a organizar meu tempo?
Será que o problema é mesmo meu tempo ou eu simplesmente levo muito a sério aquela historinha de ‘multiplicidade’?
Eu não quero magoar ou abandonar nada nem ninguém, mas mesmo assim eu faço isso às vezes. A pior parte é que a única coisa que eu consigo fazer é pedir desculpas e de que serve essa palavra?
Demonstração de arrependimento? Eu acho que não, nem sempre eu me arrependo. Para falar a verdade quase nunca. Eu vejo o erro, assumo que errei me sinto mal pelo que magoou, mas não me arrependo. É como se não quisesse negar as minhas possibilidades. São tantas...
O tempo...
E tantas coisas para fazer...
Eu queria conseguir organizar tudo isso. Queria que todos soubessem que não é descaso, ao contrário, talvez seja só amor demais.


terça-feira, 12 de maio de 2009

"O bicho, meu Deus, era um homem"


Ok... Atrasos, banho, pensamentos soltos e passados... Enfim, minutos depois eu não consigo controlar os meus dedos. Claramente a saladinha e o suco de soja (prioridade ridícula para um ser ‘pensante’) fica para depois.
Deixando a culpa pelas inspirações ou plágios de lado eu não posso deixar de contar mais um momento decisivo e ridículo para a formação de um caráter nesse país maravilhoso.
Cena típica...
Começo de noite, terça-feira, despedida do namorado... Melações à parte (afinal nem eu me agüento de tanto dengo – conseqüência de uma paixão novinha em folha e confusa para não variar) uma cena barulhenta tira a minha atenção do meu mundinho irritantemente romântico. (Desculpa, mas eu tenho que fugir do meu lado ‘laranja lima’ e dar uma de ‘limãozinho’, senão provavelmente se vão horas e mais horas de romance insuportavelmente romântico – Prometo não falar mais!)
Corre-corre, seguranças e um tapa. Estalado e nas costas. Um menino, que pode ser chamado rapaz, é aquele que cai no chão enquanto dois seguranças nanicos, metidos a ‘dono do mundo’ resolvem começar o seu ritual banal de auto-afirmação e bater no (nem tão pobre) rapaz que roubou, nada mais ou nada menos que, biscoito.
Daí pra frente todo mundo imagina o que aconteceu. Carro parando, gente se chegando, revoltando, olhando. E claro, eu não me excluo dessa multidão tão superficial.
De repente até surge em defesa do (ainda não) acusado um homem trabalhador. “Ele não tem o direito de bater assim... Eu tenho um irmão preso... e blá blá blá”. Nossa! Só no Brasil mesmo para um trabalhador gritar com tanto orgulho a façanha do irmão delinqüente.
Cena de todos os dias. Que ao contrário da digna história contada em um blog, muito apreciado por mim, não merece ser contado de uma forma linda e poética. Isso tem que ser escrito no mesmo nível do acontecido e sem nenhuma coerência.
O final? Advinha só? Pizza! Ou melhor... Biscoito!
Porque o ‘homem trabalhador’ defendeu heroicamente o ‘menino carente’ que saiu caminhando e arrumando a camisa enquanto comia o biscoito que causou a agressão dos dois comediantes ou melhor ‘seguranças’ que seguiram na direção oposta. Sem polícia, sem dinheiro e sem biscoito.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

poutporry 'de mim'


"(...) Coração não tem barreira, não/Desce a ladeira, perde o freio devagar/Eu quero ver cachoeira desabar/Montanha, roleta russa, felicidade/Posso me perder pela cidade/Fazer o circo pegar fogo de verdade/Mas tenho meu canto cativo pra voltar.

Eu posso até mudar
Mas onde quer que eu vá
meu cantinho há de ir (...)"
(Cantinho escondido)


"Lágrimas, tormentos / Quantas desilusões / Foram tantos sofrimentos e decepções, mas um dia o destino a tudo modificou.Minhas lágrimas secaram /Meus tormentos terminaramFoi uma nuvem que passouE hoje a minha vida é um carrossel de alegrias E como se não bastasse, estou amando de verdade.Me perdoa se eu me excedo em minha euforia Mas é que agora sei o que é felicidade"
(lágrimas e tormentos)

"Na péle braile prá ler/ Na superfície de mim /Milímetros de prazer /Quilômetros de paixão...Vem pr'esse mundo Deus quer nascer / Há algoinvisível e encantado / Entre eu e você...Vem pr'esse mundo Deus quer nascerQue a alma aproveita prá ser A matéria e viverQue a alma aproveita práViver!..."
(a alma e a matéria)

sábado, 9 de maio de 2009

(...)

"Eis o melhor e o pior de mimO meu termômetro, o meu quilateVem, cara, me retrateNão é impossívelEu não sou difícil de lerFaça sua parteEu sou daqui, eu não sou de MarteVem, cara, me reparaNão vê, tá na cara, sou porta bandeira de mimSó não se perca ao entrarNo meu infinito particularEm alguns instantesSou pequenina e também giganteVem, cara, se declaraO mundo é portátilPra quem não tem nada a esconderOlha minha caraÉ só mistério, não tem segredoVem cá, não tenha medoA água é potávelDaqui você pode beberSó não se perca ao entrarNo meu infinito particular"
Marisa Monte - Infinito Particular

sexta-feira, 8 de maio de 2009

previsão (por um) tempo


Eu posso até casar, mas não agora.
Eu quero me apaixonar, mas não por força.
Eu tenho sonhos e eles são doces, como laranja lima.
Eu tenho medos, mas tento fugir deles.
Eu quero ser livre, mas ter alguma coisa à que me prender.
Eu quero amar com liberdade.
Eu quero tantas coisas que nem consigo entender como posso ser e querer tantas coisas distintas ao mesmo tempo.

Se as pessoas falassem menos, se elas não esperassem tanto. Se o relógio ficasse no bolso ao invés do pulso. Se os olhos fossem sempre sinceros. Se a paciência fosse sempre uma virtude. Se (...)
Talvez se as coisas acontecessem (não do jeito certo, mas) de um jeito único talvez eu não precisasse me limitar em falar do tempo.



“Nuvens carregadas crescem no litoral do Amapá e provocam mais chuva em Macapá. A chuva cai fraca agora e a temperatura está em torno de 25C.”

(in)certeza

"Look back
Don't you dare let me start to do that...
I don't care if the things that I have
Only make me afraid to lose...
I need to let go / Need to want to keep letting you know
That we both have a reason to follow
Long as we let this lead I'm barely breathing"

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Ironic?


E quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?
(...)
Eduardo e Mônica (mais uma vez) nada parecidos
Ela era de ‘touro com ascendente em escorpião’ e ele tinha ‘vinte dois’
Ela já fez Arquitetura e fala italiano
E ele (acho que nem foi) nas aulinhas de inglês
(...)
E mesmo com tudo diferente, veio mesmo, de repente
Uma vontade de se ver
E os dois se encontravam todo dia
E a vontade crescia, como tinha de ser...
(...)
E os dois vão comemorar juntos
E também vão brigar juntos, muitas vezes depois
E todo mundo diz que ele completa ela
E vice-versa, que nem feijão com arroz
(...)
E quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?

quarta-feira, 6 de maio de 2009

mais uma despedida



Por que tanto medo de ‘ser’ o que se ‘é’?

Eu não falei nada querendo te magoar, moço. Eu só mostrei o que você me deixou ver por todo esse tempo. Eu sempre me calei. Eu estava perdida. Eu precisava de apoio para aprender a andar com as minhas próprias pernas, mas era só uma fase. Hoje eu não preciso mais de qualquer tipo de incentivo que venha com pressão, negação, imposição ou qualquer outro tipo de ‘incentivo’ que gere sofrimento.
Eu cresci. Infelizmente você nunca me amou. Você apenas ‘ama’ aquilo que pode controlar. Você quer pequenos fantoches.
Ela...
Talvez seja só mais um dos seus brinquedos. Isso eu não posso mudar e nem sei o quanto eu realmente quero mudar.
Para os dois só resta a minha decepção (mais para Ela do que para Você). Um amor muda a vida de qualquer pessoa. Faz pensar e trás mudanças de amizades, compromissos, ou prioridades. Mas eu acreditava ser mais que isso.

Inocência.
Sem raiva... Sem vingança... Sem pecado ou pecador... Eu os deixo viver (juntos) separadamente.

Depois de tudo o resultado é neutro. Você não me tirou nada, só me poupou de fingir concordar ou aceitar um ‘ramo’ a mais que teria de chamar família. Mas Ela me tirou muito. Eu perdi confiança, risos, carinhos, conversas, segurança, casa, viagens e parte do meu passado. Se os dois não conseguem achar a felicidade eu não posso dizer nada. Eu simplesmente me afasto e sigo sem olhar para trás. Sem esperar nada.

Aqui é mais um “descanso” no meio da estrada. Mais uma cruz que é colocada para lembrar que alguém, ou alguma coisa morreu. Na minha vida vocês sempre vão ter a marca do amor, apesar de não querer mais a proximidade.
Como sempre, nessas horas, a gente precisa escrever algumas palavras. Eu não escolho palavras bonitas, versos ou qualquer tipo de pensamento. Eu escrevo PERDOADO.

e espero, porque sei que um dia vai passar...

terça-feira, 5 de maio de 2009

e lá vem mais balões (...)


Ah... esse medo que eu tenho!
Se pelo menos eu soubesse quem está atrás do lençol (...).

"A vida é tão bela que chega a dar medo.
Não o medo que paralisa e gela,
estátua súbita,
mas
esse medo fascinante e fremente de curiosidade que faz
o jovem felino seguir para a frente farejando o vento
ao sair, a primeira vez, da gruta.
Medo que ofusca: luz!
(...)

A vida é nova e anda nua
- vestida apenas com o teu desejo!"

O adolescente, Mario Quintana(1906-1994)

sábado, 2 de maio de 2009

Res-pirar



"Para seduzir, olhar /Para divertir, bobagem/Para o carro, devagar/Mas para enfrentar, coragem/Para acreditar, mentira/Para discutir, opinião/Para levantar, sol/Mas para dormir, colchão/Para entender, conflito/Para se ganhar, amigo/Para deletar, mensagem/Para o verão, viagem/Para fofocar, revista/Para distrair, TV/Para uma dieta, açúcar/E para amar, você/Para encontrar, vontade/Para atravessar, a ponte/Para desejar, sorte/E para ouvir, Marisa/Para Capitu, Machado/Para uma mulher, Clarice/Para Guimarães, Brasil/Na terceira margem do rio/Para o secador, molhado/Para o colar, anel/Para o batom, um beijo/Sempre muito apaixonado/Para se pintar, espelho/Para se perder, aposta/Para dividir, segredo/Para namorar, se gosta/Para um biscoito, avó/Para comprar, essencial/Para todas as coisas, nó/E para terminar, final".
Para Todas as Coisas
Ana Cañas